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Saiba tudo sobre a dengue

Entenda o que é a dengue e descubra quais cuidados adotar para se prevenir desta doença.

08 de novembro de 2021 - Atualizado 18/04/2022

Com o período de chuvas em alta na maior parte do país, aumentam as preocupações com a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e de outras doenças como a zika, a chikungunya e a febre amarela. 

De acordo com dados do Ministério da Saúde, de 3 de janeiro a 9 de outubro de 2021, da 1ª até a 40ª semana epidemiológica, o país registrou 479.745 casos de dengue.

Compreenda a seguir como a dengue é diagnosticada e saiba o que fazer em caso de suspeita.

O que é a dengue?

É uma doença infecciosa febril aguda causada por um arbovírus, um vírus transmitido por picadas de insetos, especialmente os mosquitos. 

Enfim, trata-se de uma doença que pode se apresentar de forma benigna ou grave, dependendo de alguns fatores, entre eles: 

  • o vírus envolvido;
  • infecção anterior pelo vírus da dengue;
  • fatores individuais como doenças crônicas (diabetes, asma brônquica, anemia falciforme). 

Quais são os tipos de dengue?

São conhecidos quatro sorotipos. De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), braço nas américas da Organização Mundial da Saúde (OMS), eles podem ser classificados da seguinte maneira:

  • DENV-1;
  • DENV-2;
  • DENV-3;
  • DENV-4.

É importante frisar que os quatro sorotipos de dengue podem produzir formas assintomáticas, brandas e graves, incluindo fatais. 

Como a dengue é transmitida?

A doença é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti que precisa de água parada para se proliferar. Por isso, o período do ano com maior transmissão são os meses mais chuvosos de cada região.

Após picar uma pessoa infectada com um dos quatro sorotipos do vírus, a fêmea pode transmitir o vírus para outras pessoas.

Todavia, não há transmissão pelo contato direto com um doente ou suas secreções, nem por meio de fontes de água ou alimento. Não é uma doença transmissível de pessoa para pessoa.

Além disso, não há transmissão da mulher grávida para o feto, mas a infecção por dengue pode levar a mãe a abortar ou ter um parto prematuro, além da gestante estar mais exposta para desenvolver o quadro grave da doença, que pode levar à morte. 

Ademais, em populações vulneráveis, como crianças e idosos com mais de 65 anos, o vírus da dengue pode interagir com doenças pré-existentes e levar ao quadro grave ou gerar maiores complicações nas condições clínicas de saúde da pessoa.

Como identificar o Aedes aegypti?

O Aedes aegypti tem quase um centímetro de comprimento e se assemelha a um pernilongo comum.

Porém, tem uma característica diferente que é notável: as listras brancas na região do abdômen, na porção final do corpo do mosquito e pernas zebradas.

Ao contrário dos pernilongos comuns, esse tipo de mosquito não tem hábitos noturnos, sendo esta a sua principal diferença. 

Assim sendo, as picadas ocorrem com maior frequência logo ao amanhecer e durante a tarde, uma vez que o mosquito tende a se esconder nos horários mais quentes porque têm pouca tolerância ao sol, e, para de agir, quando anoitece.

Quais são os sintomas da dengue?

 Os principais sintomas da dengue são:

  • febre alta, acima de 38.5ºC;
  • dores intensas no corpo e articulações, como dorsalgia;
  • dor ao movimentar os olhos;
  • mal estar, como prostração e fraqueza;
  • falta de apetite seguida da perda de peso;
  • dor de cabeça;
  • manchas vermelhas no corpo, erupções na pele e coceira incessante.

No entanto, a infecção por dengue pode ser assintomática (sem sintomas), leve ou grave.

Na forma grave da doença, o paciente pode ter dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramento de mucosas. 

Nessa via, são sinais de alarme para dengue hemorrágica os seguintes sintomas:

  • dor abdominal intensa e contínua ou dor à palpação do abdome;
  • vômitos persistentes;
  • acumulação de líquidos (ascites, derrame pleural, derrame pericárdico);
  • sangramento de mucosa ou outra hemorragia;
  • aumento progressivo do hematócrito;
  • queda abrupta das plaquetas. 

Portanto, é importante procurar orientação médica ao surgirem os primeiros sintomas, pois as manifestações iniciais podem ser confundidas com outras doenças, como febre amarela, malária ou leptospirose e não servem para indicar o grau de gravidade da doença.

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Como a dengue é diagnosticada?

O diagnóstico da dengue é clínico e feito exclusivamente por um médico. 

Para confirmá-lo, são realizados exames laboratoriais de sorologia, de biologia molecular e de isolamento viral.

A sorologia é feita pela técnica MAC ELISA, por PCR, isolamento viral e teste rápido. 

Vale destacar, que todos os exames estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) e, em caso de confirmação da doença, a notificação deve ser feita ao Ministério da Saúde em até 24 horas.

A dengue tem cura?

Sim! A dengue, na maioria dos casos, têm cura espontânea depois de 10 dias. 

No entanto, a principal complicação é o choque hemorrágico, ou seja, quando se perde cerca de 1 litro de sangue. Isso faz com que o coração perca capacidade de bombear o sangue necessário para todo o corpo, levando a problemas graves em vários órgãos e colocando a vida da pessoa em risco.

Enfim, apesar de ter cura, como toda infecção, a dengue pode levar a outras complicações neurológicas, como o desenvolvimento da Síndrome de Guillain-Barré e encefalite. 

Qual é o tratamento contra a dengue?

Segundo o Ministério da Saúde, não há tratamento específico para a dengue. 

Nesse sentido, de acordo com a avaliação médica, a assistência em saúde é feita para aliviar os sintomas, sendo recomendadas, entre outras, as seguintes medidas:

  • fazer repouso;
  • ingerir bastante líquido (água), a hidratação pode ser por via oral ou por via intravenosa (com uso de soro, por exemplo);
  • não tomar medicamentos por conta própria (não devem ser usados medicamentos à base de ácido acetil salicílico e antiinflamatórios como aspirina e AAS, pois podem aumentar o risco de hemorragias);
  • o tratamento é feito de forma sintomática, sempre de acordo com avaliação do profissional de saúde, conforme cada caso.

Existe vacina para a dengue?

No momento, existe uma vacina contra a dengue registrada na Anvisa que está disponível na rede privada, a Dengvaxia, uma vacina contra dengue tetravalente, desenvolvida pela Sanofi Pasteur.

A referida vacina é aplicada em três doses no intervalo de um ano e deve ser administrada, segundo o fabricante, a OMS e a ANVISA, apenas em indivíduos com história de infecção prévia por dengue.

Por enquanto, essa vacina não está disponível no SUS, mas o Ministério da Saúde acompanha os estudos de outras vacinas.

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O Aedes aegypti vive de 35 a 45 dias, sendo que sua alimentação, reprodução e postura dos ovos ocorre durante o dia.

Como se prevenir da dengue?

Para evitar a propagação do Aedes aegypti, o transmissor da doença, é preciso eliminar ou tampar os locais que acumulam água e servem de criadouro para o mosquito.

Ou seja, manter a higiene dos locais e evitar a água parada é a melhor forma, por isso é fundamental e essencial a participação consciente e diária de toda a população.

Para isso, podem ser adotadas, entre outras, as seguintes condutas:

  • preencher os pratinhos dos vasos de plantas com areia;
  • guardar latas, baldes, potes e outros frascos com a abertura para baixo;
  • manter as caixas d’água fechadas e limpas;
  • manter fechados e limpo tonéis e barris;
  • descartar tampinhas, latinhas e embalagens plásticas corretamente e mantê-las a salvo da chuva;
  • tratas as piscinas com cloro e mantê-las, sempre que possível, cobertas;
  • master pneus, lonas, bacias, brinquedos e qualquer outro tipo de material que possa acumular água longe da chuva;
  • destinar entulhos ou sobras de obras ao lixo indicado ou para a Operação Cata-Bagulho, a fim de evitar acúmulo de água e sujeira em locais inapropriados;
  • ter ​​cuidados especiais ao regar plantas que acumulam água como Bromélias e Espadas de São Jorge, pondo água apenas na terra;
  • manter as calhas da casa limpas;
  • não permitir que se acumule água na laje.

Ademais, sempre que possível, utilize roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são mais ativos, principalmente em épocas de surtos da doença. Repelentes e inseticidas também podem ser usados, seguindo as instruções do rótulo.  

Uma outra dica, é utilizar mosquiteiros, pois proporcionam boa proteção para aqueles que dormem durante o dia, como bebês, pessoas acamadas e trabalhadores noturnos.

O que fazer em caso de suspeita de dengue?

Em caso de suspeita de Dengue, procure a Unidade de Saúde ou Posto de Saúde mais próximo à sua residência.

Lembre-se: o rápido diagnóstico é fundamental no tratamento da Dengue!

Dengue x covid-19

A dengue e a covid-19 têm alguns sintomas em comum, entre eles:

  • dores no corpo;
  • dores de cabeça;
  • cansaço;
  • mal estar;
  • falta de ar;
  • manchas no corpo;

Por essa razão, o recomendado é que, em caso de suspeita de qualquer uma dessas doenças, o paciente recorra o quanto antes a um atendimento médico. 

Tal diagnóstico é crucial para o paciente saber o que fazer, principalmente, porque os infectados com o coronavírus precisam ficar em isolamento social.

Quem teve dengue pode tomar a vacina para a covid-19?

Sim! Porém, somente de 15 a 30 dias (a depender da gravidade) após receber alta e não haver mais sintomas.

De acordo com especialistas, suspeitos ou confirmados para dengue ou mesmo covid-19 devem esperar para tomar a vacina.

Logo, se você contraiu dengue ou covid recentemente, é preciso esperar esse intervalo antes de se vacinar.

Imagens do texto: Freepik (jcomp)

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