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Na contramão da média, calote de empresa em cartão de crédito dispara

11 de maio de 2016

Apesar da fraca atividade econômica, as empresas mantiveram as contas em dia com os bancos e nível de calote registrou variação menor que um ponto percentual nas linhas de crédito em outubro, com uma única exceção: o cartão de crédito.

Para especialistas ouvidos pelo DCI, os dois itens estão relacionados: com o endurecimento dos bancos nas políticas de empréstimos – que reduziu o volume de concessões das linhas “baratas” – e o aumento dos juros – que impactou diretamente o fluxo de caixa das empresas -, as firmas se viram sem opções de financiamento e tiveram que recorrer a linhas com taxas maiores, como o cartão de crédito.

Segundo relatório do Banco Central, o índice de calote médio das empresas nos empréstimos com recursos livres – em que as taxas de juros são estipuladas livremente pelos bancos – ficou em 3,4% em outubro, uma queda de 0,2 pontos percentuais em relação a setembro e estável (variação de 0%) em relação a outubro do ano passado.

A inadimplência no rotativo do cartão de crédito – linha aberta automaticamente quando o usuário deixa de pagar a fatura – e nas compras parceladas, por sua vez, registrou uma alta de 11 pontos percentuais na variação mensal e de 6,4 pontos em 12 meses, fechando em 43,8%.

De acordo com Patrícia Krause, economista da Compagnie Française d’Assurance pour le Commerce Extérieur (Coface) América Latina, tanto a inadimplência média sob controle, quanto o aumento dos calotes em cartões já são reflexo da maior seletividade das instituições financeiras na análise de crédito.

“Os bancos estão mais restritivos com as linhas mais baratas e a empresa acaba tomando a linha mais cara por falta de opção”, observou.

Jair Lantaller, vice-presidente do Instituto Geoc, explicou que os bancos aumentaram a exigência de liquidez das empresas para as concessões. “Começaram a analisar mais o fluxo de caixa e o nível de endividamento”, disse.

Segundo os especialistas, com o crédito direcionado a firmas que apresentam menores riscos – na maior parte das vezes as empresas de grande porte -, os calotes ficaram, na média, sob controle, mesmo com a desaceleração econômica. A migração das empresas menores para os empréstimos com juros maiores, entretanto, resultou no aumento da inadimplência dessas linhas.

Paralelamente, aponta Lantaller, os juros estão em uma escalada positiva, o que dificulta às empresas quitarem as dívidas recorrentes e aumenta a necessidade de capital de giro – dados do BC mostram que as taxas para pessoa jurídica subiram 2,6 pontos percentuais em 12 meses e fecharam outubro em 23,4%, na média.

“Sem acesso aos empréstimos baratos, elas acabam recorrendo às linhas mais caras, o que contribui para o aumento da inadimplência em cartão”, avaliou o economista.

Pagamento em dia

Krause aponta ainda que as instituições financeiras, normalmente, são as últimas a sofrerem calote das empresas. “Primeiro, elas deixam de pagar os pequenos fornecedores. Depois os maiores fornecedores. Só depois vêm os bancos”, analisou a economista.

Segundo o advogado Léo Rosenbaum, especialista em Finanças e Banking pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a inadimplência fora do setor financeiro segue aumentando, o que elevou a taxa de ações de recuperação judicial – em que a empresa procura a Justiça para renegociar as dívidas.

Rosenbaum disse que os bancos costumam ter direito a 50% do crédito das empresas beirando a falência. “No final, quem acaba determinando a recuperação são os bancos.”

Os especialistas avaliaram que a tendência é que, com a inflação e os juros altos, os bancos continuem restritivos e o crédito permaneça evoluindo em ritmo fraco, de forma que a inadimplência no setor financeiro deve permanecer estável, na média, e seguir evoluindo nas linhas mais caras, como o cartão.

Link da Matéria: http://www.revistadofactoring.com/noticias-da-semana/na-contramao-da-media-calote-de-empresa-em-cartao-de-credito-dispara

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