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Lipedema: principais informações

Direito à Saúde
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Manoela Gonçalves Ribeiro

Manoela Gonçalves Ribeiro

novembro 17, 2023

O que é ‘’Lipedema’’?

Com CID 11 anunciado em 1º de janeiro de 2022 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o LIPEDEMA caracterizado como nova doença crônica e progressiva é causada devido ao acúmulo anormal de gordura nos braços, quadris e pernas.  Atingindo quase que exclusivamente mulheres, tem início na puberdade sendo observado através de indícios de um componente hormonal na sua fisiopatologia. 

O Instituto Lipedema Brasil, foi o primeiro centro de referência criado no país sobre Lipedema para poder apresentar a doença, compartilhar informações e conscientizar mulheres. Criado pelo Dr. Fábio Kamamoto, que recebeu a primeira paciente com queixa de dores nas pernas e uma gordura com textura diferente. 

Vale ressaltar que a gordura do Lipedema é diferente da de obesidade, sendo que no Lipedema tende a formar nodulações no subcutâneo, além de um componente inflamatório. 

Diagnóstico, Tipos e Estágios:

É no diagnóstico onde nota-se o excesso ou acúmulo de gordura nas coxas, joelhos, glúteos e pernas que determina uma desproporção entre a parte inferior e superior do corpo, mas lembrando que pode ocorrer nos braços também! 

O Lipedema é classificado em 05 tipos, que variam de acordo com o membro afetado. Veja a seguir:

  • TIPO I: atinge do umbigo até os quadris;
  • TIPO II: atinge até joelho com presença de tecido gorduroso na parte lateral e inferior dos joelhos;
  • TIPO III: atinge até os tornozelos com formação de ‘’manguito’’ de gordura logo acima dos pés;
  • TIPO IV: atingimento dos braços, também associado aos tipos II e III;
  • TIPO V: atinge apenas do joelho para baixo. 

Os estágios são referentes à evolução e/ou gravidade da doença, são eles:

  • Estágio 1: a superfície da pele é normal, ocorre aumento da gordura no tecido subcutâneo e há presença de nódulos ou bolinhas de gordura, como se fossem pérolas por baixo da pele.
  • Estágio 2: a pele é irregular, um pouco mais flácida do que o esperado para a idade e com aspecto de celulite, e os nódulos que podemos palpar ficam maiores.
  • Estágio 3: a pele é significativamente mais flácida, com a presença de dobras de pele. Isso pode causar dificuldade para caminhar e se movimentar. Além dos nódulos, podemos palpar também áreas de fibrose, que são como cicatrizes por baixo da pele causadas pela inflamação crônica.
  • Estágio 4: todas as alterações descritas no estágio 3, mais o comprometimento do sistema linfático. O linfedema (comprometimento dos vasos linfáticos) pode ocorrer em qualquer estágio, mas é mais frequentemente encontrado em mulheres com lipedema a partir do estágio 3, quando é chamado de lipo-linfedema, ou no estágio 4.

Sintomas e Tratamentos:

Os principais sintomas são dores frequentes nas regiões das pernas, quadril, braços e antebraços. Bem como, também pode haver hematomas (roxidão) por qualquer movimento brusco, tendo em vista que a doença provoca uma reação inflamatória em células de gordura nessas regiões. 

Não há cura, mas há tratamento. Tratamento cirúrgico e clínico são dois tipos eficazes, onde o primeiro é feito com lipoaspiração e é definitivo pois, uma vez removida a gordura ela não volta mais, visto que não há multiplicação dessas células. O segundo tratamento, o clínico, compõe dieta anti-inflamatória, uso de plataforma vibratória que diminui o inchaço nas regiões, drenagem linfática para tirar o excesso de líquido; e, por fim, a técnica de taping que é aplicada por fisioterapeuta a fim de melhorar o desconforto.

Como os planos de saúde estão agindo quando o paciente é diagnosticado com Lipedema?

Como dito, o Lipedema é uma nova doença ainda desconhecida por muitos profissionais, e pode ser tratada por realização de cirurgia. No entanto, esse procedimento é feito através de métodos de lipoaspiração (procedimento este, considerado como estético por reguladoras e operadoras de saúde). Portanto, para a infelicidade e surpresa dos pacientes há a negativa em realizar essa cirurgia (mesmo que prescrita pelo médico) ou então justificam a não autorização sob o argumento de não se enquadrar no rol da ANS.

Entretanto devemos ressaltar o que o paciente uma vez tendo um médico indicando a cirurgia ele que será responsável pelo tratamento não cabendo ao plano de saúde discutir a sua eficácia ou não conforme jurisprudência dos tribunais.

O que fazer se o plano negar o procedimento prescrito para tratamento?

Nesse caso, em posse do relatório médico, respeitando o período de carência e se de fato houver negativa em realizar o procedimento, o paciente pode buscar auxílio jurídico para verificar a possibilidade de obter uma liminar na justiça. 

Assim, o caso passará por análise do juiz e, em um curto tempo, pode ser concedida a liminar que autorize a realização do procedimento cirúrgico com cobertura do plano.

Imagem em destaque: Freepik (freepik)

Manoela Gonçalves Ribeiro

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