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Como é feita a doação de medula óssea?

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Redação

janeiro 24, 2023

No dia 10 de janeiro de 2023, o presidente Lula sancionou uma lei que facilita a localização de doadores cadastrados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome)

De acordo com a Agência Senado, o intuito dessa nova norma é “possibilitar aos gestores do Redome e aos hemocentros requisitar a órgãos públicos dados de contato de doadores e parentes”.

Mas, você sabe para que serve a medula óssea e qual a sua importância? 

Compreenda essas e outras questões acerca do assunto e saiba como se tornar um doador de medula óssea.

O que é a medula óssea?

A medula óssea é um tecido gelatinoso encontrado no interior dos ossos, mais especificamente na parte esponjosa dos ossos chatos como a bacia, também conhecido popularmente como “tutano”.

Tal tecido contém as células-tronco que são responsáveis por produzir os componentes do sangue, ou seja, por formar as células do sangue, processo denominado de hematopoese.

Assim, elas têm a função de fabricar as seguintes células sanguíneas:

  • hemácias ou glóbulos vermelhos – as hemácias, também conhecidas como glóbulos vermelhos ou eritrócitos, são as mais numerosas células sanguíneas. Elas carregam hemoglobina e são responsáveis pelo transporte do oxigênio dos pulmões para os tecidos e pela retirada do gás carbônico para ser eliminado pelos pulmões;
  • leucócitos ou glóbulos brancos – os leucócitos, também denominados de glóbulos brancos, são as células responsáveis pela defesa do nosso organismo, protegendo-o de infecções, vírus, bactérias, parasitas e de substâncias estranhas. Existem cinco tipos principais de leucócitos, os neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e linfócitos;
  • trombócitos ou plaquetas – as plaquetas são estruturas sanguíneas que, diferentemente das hemácias e leucócitos, não são células, mas, sim, fragmentos citoplasmáticos de uma célula produzida pela medula óssea, o megacariócito. As plaquetas atuam principalmente no processo de coagulação sanguínea, sendo essenciais para prevenir hemorragias.

Enfim, são as células-tronco que são substituídas na prática quando é realizado um transplante de medula óssea.

Qual a lei que trata da doação de medula óssea?

A principal norma legal que trata da doação de medula óssea é a Lei nº 11.930, de 22 de abril de 2009, que institui a Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea.

Por conseguinte, é indispensável citar também a Lei nº 14.530, de 10 de janeiro de 2023, que alterou a lei supracitada, para facilitar a localização de doadores cadastrados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).

Quais os requisitos para fazer a doação de medula óssea?

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para se tornar um doador de medula óssea é necessário atender aos seguintes requisitos:

  • ter entre 18 e 35 anos de idade;
  • estar em bom estado de saúde;
  • não ter doença infecciosa transmissível pelo sangue, como infecção pelo HIV ou hepatite;
  • não apresentar história de doença neoplásica (câncer), hematológica ou autoimune, como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide.

Para quem o transplante de medula óssea é indicado?

O transplante de medula óssea é indicado para pacientes com doenças que comprometem a produção normal de células sanguíneas, entre elas:

  • leucemia;
  • linfomas;
  • anemias graves;
  • portadores de aplasia de medula óssea;
  • imunodeficiências.

Ademais, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Estado de São Paulo, o transplante de medula óssea também pode ser indicado no caso de outras 70 doenças relacionadas ao sistema sanguíneo e imunológico.

Vale lembrar que a indicação do transplante é uma decisão que só pode ser tomada por um médico.

Em geral, tal indicação depende da doença e da fase da doença em que os pacientes se encontram. 

Nesse contexto, o transplante pode ser um recurso aplicado em situações nas quais não há como controlar a doença somente com a quimioterapia e radioterapia convencional.

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Como é feita a doação de medula óssea?

A doação de medula óssea pode ser feita de duas formas. São elas:

  • punção – procedimento realizado sob anestesia, em que a medula óssea é retirada do interior do osso da bacia, por meio de punções. Requer internação de 24h e o doador pode ter dor no local da punção nos primeiros dias, que pode ser amenizada com uso de analgésicos. O tempo de recuperação ocorre em torno de 15 dias;
  • aférese – método no qual o doador faz uso de uma medicação por cinco dias, com o objetivo de aumentar a produção de células-tronco circulantes no seu sangue. Após esse período, a doação é realizada por meio de uma máquina de aférese, que colhe o sangue através de duas veias do doador, uma em cada braço, ou uma veia profunda, separa as células-tronco e devolve os componentes do sangue que não são necessários para o paciente. Não há necessidade de internação e anestesia.  

Vale lembrar que a decisão sobre o método é exclusiva dos médicos.

Como é realizado o transplante de medula óssea?

Basicamente, são transplantadas células-tronco do sangue para o paciente que serão responsáveis pela produção de sangue novo.

As novas células são transfundidas no sangue e vão sozinhas para dentro dos ossos, onde encontra-se a medula óssea.

Todavia, antes do transplante, o paciente passa por um procedimento chamado condicionamento, em que a medula óssea é destruída por quimioterapia e/ou radioterapia para auxiliar a destruir as células tumorais e impedir que o sistema imunológico do receptor ataque as células doadas.

Finalmente, após um determinado período de tempo, as células do doador começam a se multiplicar, produzindo novas células do sangue.

Quais são os tipos de transplante de medula óssea?

A medula óssea pode ser transplantada das seguintes formas:

  • Autólogo – neste tipo de transplante o paciente é seu próprio doador.;
  • Singênico – é o transplante de medula óssea entre irmãos gêmeos idênticos;
  • Alogênico – quando as células-tronco do sangue são recebidas de outra pessoa;
  • Haploidêntico – quando o doador tem apenas metade da carga genética (HLA) igual ao receptor, por exemplo, transplantes de pai para filho.
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As células-tronco estão localizadas na medula óssea, no sangue periférico do doador, no cordão umbilical e na placenta. | Imagem: Freepik (freepik)

Como se tornar um doador de medula óssea?

O primeiro passo para se tornar um doador de medula óssea é procurar na sua cidade um hemocentro ou hemonúcleo autorizado e cadastrar-se. 

Na cidade de São Paulo, existe o Hemocentro da Santa Casa de São Paulo localizado na rua Marquês de Itu, 579, Vila Buarque, próximo ao metrô Santa Cecília.  

Para o cadastramento, o doador deve apresentar um documento original de identidade e preencher um formulário com suas informações pessoais.

Além disso, será efetuada a coleta de um simples exame de sangue para o teste de compatibilidade (tipagem HLA).

Vale lembrar que para a realização de um transplante de medula óssea é necessário que a compatibilidade entre o doador e receptor seja 100%.

Após o cadastramento, os dados do possível doador e sua tipagem HLA serão cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME).

Sob a coordenação do INCA, o REDOME é responsável pela manutenção das informações de todos os doadores voluntários de medula óssea cadastrados no Brasil e pela identificação de possíveis doadores para pacientes brasileiros.  

Foi criado em 1993, em São Paulo e, segundo o Ministério da Saúde, é o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo. 

Caso surja um paciente com a medula compatível com a do doador cadastrado, ele será convocado.

Nesse momento, será necessário realizar novos testes sanguíneos para a confirmação da compatibilidade. Caso a compatibilidade seja confirmada, o doador será avaliado por um médico que decidirá sobre a doação.

Por essa razão, é muito importante o doador manter o REDOME atualizado com os seus dados cadastrais.

Imagem em destaque: Freepik (brgfx)

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