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Saiba mais sobre a reabertura das escolas durante a pandemia

10 de dezembro de 2020

Reflita acerca dos principais aspectos que envolvem o retorno das aulas presenciais, desde a saúde das crianças e professores, até as questões sociais envolvidas.

Durante a pandemia de covid-19 diversos setores da sociedade foram estritamente afetados.

Visando a diminuição da proliferação do coronavírus e seguindo recomendações de órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, governantes brasileiros estaduais e municipais emitiram decretos reconhecendo o estado de calamidade pública, dispondo-se de medidas emergenciais de restrição do acesso a bens públicos e privados.

Essas medidas limitaram a abertura de comércio como bares, restaurantes, cinemas, salões de beleza, academias, além de parques e clubes para evitar aglomerações e maior disseminação da doença.

Dito isso, promoveu-se também o fechamento das escolas e outras instituições de ensino, causando um prejuízo sem precedentes no ano escolar e provocando mudanças no comportamento social e na rotina de milhões de brasileiros.

Nesse sentido, ampliou-se o impasse na sociedade brasileira quanto à possibilidade de reabertura das escolas e o impacto disso mediante a pandemia. Compreenda a seguir alguns pontos cruciais acerca desse assunto.

Por que as escolas fecharam?

O Brasil é um dos países que optaram pela suspensão das aulas presenciais e fecharam escolas e instituições de ensino em decorrência do novo coronavírus

Diante da gravidade e letalidade atribuídas ao Sars Cov-2, diversas medidas começaram a ser tomadas para conter a disseminação da doença. Foi nesse cenário que, em março deste ano, todos os 26 estados mais o Distrito Federal suspenderam as aulas presenciais.

Segundo especialistas, crianças e jovens poderiam ser assintomáticos, levando o vírus da escola para casa, aumentando, assim, o risco de exposição de pessoas com mais idade e outros membros da família.

Além disso, profissionais da educação também poderiam correr maior risco de contaminação.

Consequências da suspensão das aulas presenciais

O fechamento das escolas impactou diretamente questões sociais e econômicas da nossa sociedade, agravando as disparidades já existentes no sistema educacional

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) levantou algumas consequências decorrentes do fechamento das escolas:

  • processo de aprendizagem interrompido, resultando em menores oportunidades de crescimento e desenvolvimento dos alunos;
  • subalimentação, já que muitas crianças e jovens dependem das refeições escolares;
  • garantir a permanência dos alunos nas aulas à distância e, posteriormente, no retorno às aulas presenciais;
  • aumento da violência e da exploração doméstica;
  • impacto no desenvolvimento social da criança e do jovem em decorrência do isolamento social, gerando redução da atividade social e da interação humana;
  • desafios para mensurar e validar a aprendizagem;
  • aumento na disparidade de aprendizado por diferenças socioeconômicas.
  • lacunas na assistência à infância, já que a escola é um ambiente que garante a seguridade física e social das crianças;
  • despreparo para educação a distância e em casa por conta da dificuldade e/ou limitação de acesso às aulas online e pelo desafio que muitos pais e responsáveis encontram ao realizar as tarefas educacionais com as crianças.

Nova realidade acadêmica: aulas online

O fechamento das escolas durante a pandemia obrigou os profissionais da educação e os estudantes a se adaptarem a uma nova realidade, as aulas online.

Essa foi uma das saídas encontradas pelo Ministério da Educação para tentar driblar os efeitos da pandemia no desenvolvimento acadêmico.

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Aulas online são a nova realidade de muitos estudantes brasileiros.

Porém, se por um lado a tecnologia se tornou uma importante ferramenta durante esse processo, também revelou ser um entrave.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Educação a Distância, entre agosto e setembro, ouviu 5.580 estudantes, professores, pais, responsáveis e dirigentes de instituições públicas e privadas de ensino.

A partir dos relatos, pôde-se concluir as seguintes questões sobre as atividades remotas na educação durante a pandemia:

  • 67% dos alunos relatam dificuldades em estabelecer e organizar uma rotina diária de estudos;
  • apenas 60,5% dos estudantes participam de quase todas as atividades online oferecidas pela escola; 
  • 72,6% dos alunos consideram que o estudo remoto é pior na comparação com as aulas presenciais; 
  • 51,5% dos pais e responsáveis acreditam que essa forma de ensino é pior.

Além disso, 82,6% dos alunos apontam que a falta do contato presencial afeta os estudos e a aprendizagem.

A pesquisa ainda apresenta pontos importantes relacionados aos professores:

  • 57,8% relataram dificuldade de conexão com a internet;
  • 32,3% responderam ter conexão de dados limitada;
  • 39,3% assinalaram falta de familiaridade com as ferramentas digitais.

Quanto aos estudantes, a pesquisa ainda revela que:

  • 29,2% dos estudantes entrevistados disseram ter dificuldade de conexão com a internet;
  • para 10,8% deles, não ter dispositivo próprio e precisar compartilhá-lo com outros integrantes da casa afeta o estudo e a aprendizagem durante o período da pandemia;
  • 63,5% responderam ter banda larga ilimitada e 25,8% utilizam de terceiros.

Retomada das aulas presenciais e reabertura de escolas

Neste momento, planos de retomada das aulas presenciais estão sendo implementados em todo o país para os 20 milhões de alunos matriculados nos Ensinos Básico e Superior.

Porém, o tipo de organização e a decisão de em que momento reabrir as escolas cabe aos gestores municipais, que devem levar em conta os dados epidemiológicos da região e o alinhamento federativo.

Nesse sentido, São Paulo está com o plano de retomada opcional em ação desde o dia 7 de outubro para alunos do Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos.

Para as escolas que atendem alunos do Ensino Fundamental, a data do retorno foi dia 3 de novembro. E, o calendário de retomada presencial nas escolas municipais, estaduais e privadas podem ou não ser autorizadas pelas prefeituras.

Apesar do retorno à fase amarela, anunciado no dia 30 de novembro, as escolas permanecem com o plano de retomada.

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As aulas presenciais serão diferentes e deverão seguir os protocolos contra o coronavírus.

Colégios públicos e particulares de todo o Estado seguem funcionando com capacidade reduzida, podendo receber até 35% dos alunos por dia.

O que dizem as pesquisas sobre pandemia e fim das aulas online?

No Brasil, em um contexto geral, existem opiniões divergentes quanto à reabertura das escolas e o retorno das aulas presenciais. Portanto, não existe uma unanimidade.

Porém, é possível se ter uma ideia do que acontece por meio das pesquisas de opinião pública.

De acordo com dados de uma pesquisa realizada pelo Ibope divulgada em setembro deste ano, cerca de 72% dos brasileiros, das classes A, B e C, acreditam que os alunos devem retornar às aulas presenciais apenas após a criação de uma vacina para o coronavírus.

Na mesma mão, o Datafolha também demonstrou em pesquisa realizada em agosto, que 79% dos brasileiros acredita que ocorrerá um agravamento da pandemia com o retorno das atividades.

Em contrapartida, as orientações do guia atualizado com protocolos sanitários e medidas de segurança contra a disseminação do novo coronavírus na volta às aulas, publicado pela OMS, Unicef (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas) e Unesco, reforçam que os governos devem priorizar a continuidade da educação e só fechar instituições escolares, quando não houver alternativas.

Certamente, a reabertura das escolas não é simplesmente voltar à normalidade. É necessário utilizar equipamentos de proteção individual, orientar os profissionais, adaptar espaços físicos para reduzir riscos e aglomerações, além de educar pais e familiares sobre o novo normal. Mesmo as crianças sendo de menor risco, é preciso manter as orientações das autoridades sanitárias.

Imagens: Freepik

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